O estudante de comunicação e o bicho que o espera

Data 5 Janeiro | 2009    Categoria Categoria: Publicidade e Propaganda

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As tecnologias digitais são um buraco negro que engole um a um os meios de comunicação, mas que ainda não nos deixa ver com clareza o bicho que sairá do outro lado.

Na mitologia grega, neguinho quando morria não ia pro céu nem pro limbo nem pro inferno: ia direto para o reino de Hades, o deus da morte, das profundezas.

Chegando nas imediações, era obrigado a atravessar o rio que o separava da entrada principal. Esta travessia, aliás, era monopólio de um barqueiro chamado Caronte, que cobrava um óbulo – moeda da época – pelo serviço.

Para garantir que o morto chegasse ao reino de Hades, não se transformando numa alma errante, penada, sem destino, é que os gregos tinham o hábito de enterrar o defunto com uma moeda sobre o corpo. Assim ele teria os meios de pagar o tal Caronte.

Uma vez desembarcado, nosso amigo presunto ainda tinha que passar diante do olhar desconfiado de um cachorrão muito bravo chamado Cérbero, guardião da entrada do reino. Bobeou, levou mordidas. Isso mesmo, no plural, porque o feioso do Cérbero tinha três cabeças. Um horror, enfim.

Hoje, quando vejo que a estudantada de comunicação tem um monstrengo igualmente inclemente à sua espera, impossível não me lembrar do cachorrão tricapitado, se o leitor me permite o neologismo.

O monstrengo a que me refiro é o terremoto tecnológico que tem chacoalhado o ambiente da comunicação. Grau nove na escala Richter.

O leitor mais jovem talvez não se dê conta, mas nunca antes neste país – como diria nosso molusco-presidente ou presidente-molusco, como queira – se viu tamanhas modificações de cenário em tão pouco tempo. Nem neste país nem no resto do mundo.

Até há bem poucas décadas um simples telefonema interurbano, por exemplo, era um evento! A primeira transmissão de televisão internacional ao vivo foi há menos de 40 anos. A primeira colorida, há 34. Na escala do tempo isso é nada.

Ultimamente, em menos de dez anos, vimos a telefonia fixa ter sua morte decretada, as cartas viraram e-mails, a revelação de fotografias sumiu, os guias de cidades viraram GPS.

Há menos de 15 anos olhávamos a estrelas aqui da Terra. Hoje, com o Google Earth, olhamos a Terra a partir das estrelas.

Não, leitor, isto não é nenhum delírio fascinado de um cinqüentão: é um alerta. Primeiro, porque o mundo ainda pensa e é administrado (comandado) por cabeças formadas dentro de um modelo de raciocínio. Muitas das verdades (crenças e valores) que guiam nossos destinos ainda são as do século vinte. De meados do século vinte!

Há um enorme conflito em ebulição. Tem um vazio aí, em algum lugar. Quem souber conviver com o que vem, driblando a mentalidade passada, vai se dar, creio, muito bem.

Em segundo lugar, porque a tecnologia é muito rápida (enquanto a transição dos valores é muito lenta), o que tem tudo a ver com as três cabeças do monstrengo que te espera.

Primeira cabeça do monstro: A multiplicação dos meios de comunicação.

Quando terminei a faculdade (ESPM-SP, 1982), pensávamos publicidade sempre associando-a com os limitados meios de comunicação disponíveis: rádio, jornal, revista, TV, outdoor. Pronto, acabou. No more. Não bastasse, tinha sempre relativamente muita grana na parada, as verbas eram ótimas, e todo mundo fazia uma farra.

Mas o tal monstrinho foi pondo a cabecinha devagarinho, devagarinho (sem sacanagem, por favor!) pra fora, ninguém se deu conta e…

E veio televisão a cabo com 800 canais, rádio digital via internet, um milhão de novos provedores de informação a mais por dia, filme publicitário dentro de um jornal com cara de impresso (nas home pages), RSS, blogs, links patrocinados, a notícia vai na mão e também vem na contra-mão, You Tube, você faz a televisão, o jornalista escreve a notícia, você escreve a notícia, o publicitário faz anúncios, o cidadão comum também faz anúncios, o e-paper tá chegando etc. etc. A própria língua falada e escrita está mudando (não me refiro a acordo ortográfico). Bem, f… tudo!

E eu às vezes me queixava do conjunto rádio, TV, jornal, revista e outdoor. Caramba, como era tudo tão fácil! Meu Deus, eu era tão feliz!

Me preocupa não ter notícia de muitas faculdades de comunicação profundamente interessadas em fazer ver ao aluno, ainda que na porrada, a necessidade premente, impostergável de estudarem detidamente as conseqüências e desdobramentos desta explosão de meios de comunicação que vivemos, estudar muito mais a fundo do que supõe nossa vã filosofia.

Insiste-se, por exemplo, exageradamente na semiótica, quando quem está com os dentes arreganhados, prestes a morder o calcanhar do comunicador, é a memética. Ensina-se planejamento de propaganda com a mesma receita embolorada que ensinaram para mim.

Criação, então, para muita gente ainda se resume a uma ridícula sacadinha.

Segunda cabeça do monstro: Convergência dos meios de comunicação.

A internet e as tecnologias digitais são, de certa forma, um imenso buraco negro que está engolindo um a um os meios de comunicação, mas que ainda não nos deixa ver com clareza o bicho que sairá do outro lado. Que espécie de entidade híbrida, afinal, haverá brevemente de nos manter ligados ao resto da humanidade?

Ironicamente, os meios foram multiplicados para no final se tornarem um só!

Multiplicamos para reduzir. “E sereis um” bem que poderia estar escrito em algum versículo da Bíblia ou centúria de Nostradamus.

Exatamente em razão desta convergência dos meios, acredito piamente que separar as áreas da comunicação em comportamentos estanques não deverá fazer muito sentido dentro de algum tempo (já não faz hoje!). Publicidade, jornalismo, RP etc., tudo deverá se aproximar muito, quando não se fundir, unificando-se, aqui e acolá, numa mega atividade qualquer.

E tudo depende da engenharia eletrônica. Tão logo a internet esteja baseada numa ampla rede de comunicação de altíssima capacidade de transmissão de dados, a fusão vai se completar.

Depois, só com bola de cristal para saber.

Terceira cabeça do monstro: Um novo mercado de trabalho.

Toda esta reconfiguração do ambiente profissional vai desaguar, evidentemente, em novas ou, mais exatamente, diferentes oportunidades de trabalho.

Não me parece que os modelos tradicionais empregador-empregado e agência-cliente vão resistir intactos por muito tempo neste nosso mercado da comunicação (falo dos próximos 15 ou 20 anos, quando você estará atingindo o ápice da sua vida profissional).

Há quinze anos, mal imaginávamos a internet.

Agora você já não é mais um estudante ou profissional de uma cidade ou região. Você é estudante ou profissional e ponto final. Do mundo. As oportunidades não estão encapsuladas na sua cidade, estão escancaradas bem diante da sua cara, na internet, que representa o mundo inteiro.

Mas você precisa apertar um botão.

Por isso, se eu não estiver redondamente enganado, mais do que nunca quem irá se dar bem é o profissional pra lá de preparado, de vastíssima cultura geral, muito letrado & viajado, que domina perfeitamente outro idioma – tanto quanto o português (sempre foi assim, mas parece que a coisa vai apertar).

Ouso imaginar que a capacidade de entender filosofia logo será mais valorizada que a de entender tecnologia. Enfim, tudo me leva a acreditar que se exigirá bem mais do que se tem feito até aqui.

Porque em algum momento (próximo) o choque de mentalidades e valores vai criar um racha qualquer, talvez como na França de 1968 ou, em sentido filosoficamente semelhante porém esteticamente diferente, Woodstock, um ano depois. Provavelmente não tão barulhento, mas certamente será um racha profundo.

E agora? Você vai trabalhar onde? Vai pedir emprego pra quem? Aliás, o que é você mesmo? Publicitário? Relações Públicas? O quê?

Quer uma dica? Não peça emprego; crie oportunidades de trabalho. Esse é o jogo.

O bicho é feio? É feio. É bem feioso. Mas acredito piamente que com calma, muito esforço e competência você doma a fera cabeçuda e ainda sai bonito na foto.

autor: Zeca Martins
fonte: Webinsider

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Top 10 dos livros de Marketing mais vendidos em 2008

Data 1 Janeiro | 2009    Categoria Categoria: IFDBooks

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Considerado a bíblia do Marketing no mundo inteiro, Administração de Marketing é o livro mais vendido sobre o assunto no Brasil em 2008. Um levantamento exclusivo realizado pelo Mundo do Marketing mostra a obra de Philip Kotler e Kevin Keller no topo da lista dos 10 livros de Marketing mais vendidos neste ano.

O Top 10 foi elaborado a partir do ranking de livros de Marketing e Negócios mais vendidos nas livrarias Saraiva, Siciliano, Fnac, Cultura e no site Submarino. Philip Kotler aparece também na segunda posição, com Princípios de Marketing, escrito ao lado de Gary Armstrong. Na terceira colocação no ranking do Mundo do Marketing está outro autor celebrado mundialmente, Paco Underhill, com Vamos às compras! A ciência do consumo.

A surpresa entre os livros mais vendidos em 2008 vem logo em quarto lugar. Google Marketing, um guia definitivo de Marketing Digital é de autoria do brasileiro Conrado Vaz, que divide com Francisco Alvares a distinção de serem os únicos autores nacionais na lista. Trade Marketing, a conquista do consumidor no ponto-de-venda aparece na décima posição.

Outro livro no ranking que chamou atenção foi Repensando a saúde, estratégias para melhorar a qualidade e reduzir os custos. A obra é de Elizabeth Olmsted Teisberg e Michael Porter, conhecido pensador de Marketing, mas que neste trabalho focou no setor de saúde. Veja a lista completa a seguir e a sinopse dos livros.

Administração de Marketing
Quando a primeira edição deste livro foi publicada, em 1967, lançou conceitos inovadores que mudaram o modo como as pessoas viam o marketing. Mais de 40 anos depois, na 12ª edição, ele continua a surtir o mesmo efeito - tópicos como Marketing holístico, brand equity e Marketing experimental prometem fazer com que as pessoas invistam em uma perspectiva mais ampla e integrada do Marketing.

É exatamente essa capacidade de antecipar tendências que faz de Administração de marketing o livro de referência da área em todo o mundo. De fato, ao conseguir se manter sempre atualizado, acompanhando as mudanças no mercado e adaptando-se a elas, esta obra exerce uma das premissas básicas do marketing: a inovação constante.

Princípios de Marketing
Alinhado com o que há de mais inovador, este livro trata o Marketing como uma filosofia que orienta a organização e direciona seus esforços tanto para a criação de valor para o cliente como para a captação de valor do cliente para a empresa.

Baseado em um quadro conceitual de valor e relacionamento com o cliente, que traduz a essência do marketing atual, ele discute temas como construção e gerenciamento de marcas fortes e criadoras de valor, administração do retorno das ações para capturar valor em troca, domínio de novas tecnologias de marketing e marketing socialmente responsável. Como complemento aos assuntos abordados, a seção “Panorama brasileiro” apresenta casos novos e atuais, aproximando a teoria apresentada à nossa realidade.

Vamos às compras! A ciência do consumo
Este livro é um retrato bem-humorado, crítico e irônico dos shoppings centers. Paco Underhill expõe seu conhecimento sobre essa poderosa máquina geradora de consumo, descrevendo em detalhes o comportamento do consumidor, as decisões de compra e suas razões. A Magia dos Shoppings investiga a forma como os consumidores utilizam os shoppings e o que leva alguns destes estabelecimentos ao sucesso e outros ao fracasso total.

Através da visão crítica e minuciosa de Paco Underhill, os leitores são levados a surpreendentes descobertas sobre sua maneira de proceder, atingindo uma compreensão maior dos padrões de comportamento, às prioridades estabelecidas no ato da compra, à necessidade de atender a desejos de consumo e, principalmente, como são conduzidas as finanças - e, conseqüentemente, as vidas – dos consumidores.

Google Marketing - um guia definitivo de Marketing Digital
Fruto de um trabalho de pesquisa prática e teórica ao longo dos últimos cinco anos sobre como a internet está mudando a rotina de marketing das empresas, o livro mostra o conhecimento adquirido do ponto de vista do marketing de maneira acessível e objetiva.

O livro trata de assuntos como propaganda georreferenciada, publicidade em blogs, como e por que ficar na primeira página do Google, como usar a web 2.0 como forma de se relacionar com o seu público-alvo, como planejar e desenvolver uma campanha de Marketing Viral eficiente, como mensurar o ROI de ações de marketing digital e outros assuntos de extrema importância para quem quer dominar e conquistar market-share neste novo mundo digital.

Tudo o que você pensa, pense ao contrário
Com charme e humor, o livro ensina por que podemos investir em decisões impetuosas, subverter hierarquias e dar adeus aos hábitos corporativos como etapas do crescimento na carreira e na vida. Com base na experiência de seu brilhante desempenho como publicitário, o autor mostra como o risco pode ser o maior fator de segurança. Para isso aponta os benefícios de tomar as decisões consideradas menos razoáveis.

Paul Arden argumenta que “o problema de tomar decisões sensatas é que todo mundo está fazendo o mesmo”. Ele explica “por que se deve ser precipitado” e desdenha dos ritos universitários, suas pós e MBAs, dando boas razões para se “aprender na escola da vida”. Aponta para uma ruptura com códigos e comportamentos consagrados e acena com provocações que conferem a confiança necessária para se tomar decisões arriscadas - aquelas que podem levar a desfrutar do trabalho e da carreira de uma forma mais criativa, arrojada e singular do que se esperava.

Repensando a saúde - Estratégias para melhorar a qualidade e reduzir os custos
Um dos grandes especialistas mundiais em estratégia, Michael Porter debruça-se sobre um tema atual e de grande importância para indivíduos, profissionais, serviços e instituições da saúde: as crescentes dificuldades dos sistemas e dos próprios pacientes em todo o mundo. Nesta obra que está alcançando grande repercussão mundial, Porter e sua colega, Elizabeth Teisberg, propõem uma mudança de rumos no modelo vigente.

A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho
Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, explorou pela primeira vez o fenômeno da Cauda Longa em um artigo que se tornou um dos mais influentes ensaios sobre negócios de nosso tempo. Usando o mundo dos filmes, dos livros e das músicas, mostrou que a Internet deu origem a um novo universo, em que a receita total de uma multidão de produtos de nicho, com baixos volumes de vendas, é igual à receita total dos poucos grandes sucessos.

Anderson mostra como chegamos a esse ponto e revela as enormes oportunidades daí decorrentes: para novos produtores, para novos agregadores e para novos formadores de preferências. Ele também analisa a economia da reputação; o fim dos estoques; o efeito Wal-Mart; o poder da produção colaborativa e a ascensão de uma grande cultura paralela.

E ainda demonstra como a economia da Cauda Longa se aplica a indústrias tão díspares quanto brinquedos, propaganda e utensílios de cozinha. Finalmente, sugere a observância de nove regras para atuar na Economia de Cauda Longa. Em outras palavras, oferece um vislumbre de um futuro que já está presente.

Invasão de campo - Adidas, Puma e os bastidores do esporte moderno
No início da década de 1920, os irmãos Adi e Rudolf Dassler inovaram ao criar uma fábrica de calçados destinados exclusivamente à prática de esportes. As dificuldades e traições mútuas vividas durante a Segunda Guerra na Alemanha acirraram a briga pelo controle da sociedade e levaram a uma separação drástica: nasciam a Adidas e a Puma, e o mundo dos esportes nunca mais seria o mesmo.

O livro mostra negociações escusas, casos surpreendentes (muitos dos quais apresentados pela primeira vez) e exemplos de lealdade e superação, bem como de tino empresarial. Expõe os bastidores de uma rede que envolve grandes jogadas de marketing, concorrentes de peso como Nike e Reebok, tramas políticas, cifras multibilionárias, inovações técnicas e celebridades internacionais – no processo de globalização do esporte.

Cirque du Soleil - A reinvenção do espetáculo
Criatividade e a capacidade de inovação são fatores indispensáveis para o sucesso, tanto nos negócios quanto em inúmeros outros aspectos das nossas vidas. Neste livro, Lyn Heward, ex-presidente de conteúdo criativo do Cirque, convida os leitores para um mergulho no universo e nas idéias do Cirque du Soleil por meio da história de um homem comum, que parte em busca de um sentido para seu trabalho e sua vida.

Este livro inspirador reúne as histórias de bastidores dos mais criativos profissionais do mundo do entretenimento, com um toque da mágica transcendental do Cirque du Soleil. É um manual sem precedentes de como tornar a criatividade parte de tudo o que você fizer.

Trade marketing - A conquista do consumidor no ponto de venda
Não é modismo. Ao contrário, é um tema cada vez mais discutido e pesquisado, aproximando acadêmicos e profissionais. O livro apresenta aos leitores um estudo detalhado sobre o assunto, que ainda não dispõe de vasta literatura no Brasil. Resultado da combinação entre a larga experiência profissional do autor e sua vivência acadêmica, a obra apresenta de maneira clara e objetiva os diversos aspectos que interferem na concepção de estratégias de posicionamento.

O Trade Marketing, portanto, passa a ser entendido como um novo modelo de gestão, que interage com o universo de marketing e de vendas, com o objetivo de responder ao novo ambiente de mercado e à complexidade no processo de negociação. Além de conceitos teóricos e contextualização do tema, o livro é rico em figuras, quadros, tabelas e gráficos, oferecendo aos alunos de Marketing e Administração um panorama completo sobre um assunto em voga em tempos de globalização.

autor: Bruno Mello
fonte: Mundo do Marketing

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Comunicar & Compartilhar. Faces de uma mesma moeda

Data 1 Janeiro | 2009    Categoria Categoria: Marketing, Publicidade e Propaganda

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Vivemos num mundo em permanente transformação. Ao longo da história da humanidade pouco ou quase nada sobreviveu. Nos últimos anos, com a popularização da internet, conquistamos acesso quase irrestrito a informação e, com isso, a possibilidade de criar-se novos significados para antigos valores que pareciam, até aqui, imutáveis.

O sentimento de pertencimento, por exemplo, deixou de ser necessariamente presencial para se tornar também virtual. São tribos que se formam e se reformam com a mesma velocidade com que as transformações acontecem. Algum dia você imaginou que pessoas se casariam e teriam filhos sem jamais terem se tocado ou mesmo se encontrado presencialmente?

Diante destas transformações, a escrita deixa de ser um código de simples registro e ganha espaço e sentindo mais amplos, com uma linguagem característica dos tempos da internet. C vc qr ntndr u q tah scritu aki leia nu cantinhu da pahgina.” Você sabe decifrar a frase anterior? Nem eu. Foi minha filha de 16 anos quem a escreveu na linguagem utilizada online.

O cidadão comum/popular deixou de ser um agente passivo no mundo da comunicação se tornando um cidadão ativo, se apoderando da comunicação com o desconhecido, aprendendo a produzir a informação, ganhando autoconfiança e, cada vez mais, exigindo respeito a seus valores de todos aqueles que os cercam, sejam empresas ou as diferentes instâncias do poder público.

Surgem o voto de carteira (a transformação no ato de compra numa manifestação ideológica) e, mais recentemente, o prosumer (o consumidor pró-ativo). A crise que vivemos deixa exposto um sistema sócio financeiro que agoniza, tal qual um doente terminal que é mantido vivo por aparelhos, e, ao mesmo tempo, evidencia que os jovens têm razão: o mundo do “ter para ser” já era, o mundo do “interagir para existir” é que já é!

Diversas pesquisas com diferentes origens e finalidades apontam que a principal preocupação de adolescentes e jovens é com o mundo que vão herdar ou com o aquecimento global. Eles estão tão envolvidos com essa questão que alguns estão adquirindo depressão crônica, uma vez que têm acesso as informações, mas não se sentem escutados na busca de soluções. Em resumo: eles querem interagir, mas não encontram espaço em nossa sociedade que os acolham.

CEOs de empresas globais afirmaram em recente pesquisa que somente as empresas que interagirem com seus diversos públicos sobreviverão em um futuro próximo, mas eles não sabem como promover essa interação entre as empresas que dirigem e seus diferentes públicos. Quanto ao Estado, a eleição de Barack Obama, a expressiva votação de Fernando Gabeira na eleição para Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro e o manifesto realizado após as eleições do Rio demonstram o quanto essa jovem aldeia global está conectada.

O mais interessante nesse momento em que vivemos não são apenas as transformações que acontecem, mas o fato de que a geração que ocupa cargos de poder nesse momento, nas empresas ou no poder público, vivenciou intensamente o movimento da contracultura que teve seu ápice no ano de 1968 e agora desqualifica o movimento jovem, repetindo os mesmos erros de que foram vítimas.

Como decorrência desse movimento que se auto-alimenta e se revigora a cada vitória, criam-se novas ferramentas que facilitam a comunicação entre seus integrantes, tais como o Marketing Social e as mídias interativas. Embora o Marketing Social e as mídias interativas se apresentem como novidades para a geração que ocupa cargos de poder, para os jovens, que cresceram com a internet, que se habituou a produzir seu próprio conteúdo, criando uma cultura própria, onde o pessoal e o social interagem permanentemente (veja a internet, a TV digital, os jogos de RPG, o celular, o funk, o hip hop, o street basket, etc) tanto a metodologia do marketing social quanto as mídias interativas fazem parte de seus cotidianos, assim como o telefone fez parte da cultura da geração de 68.

Com toda a certeza quem quiser se comunicar num futuro próximo, além de saber falar, escrever, ler terá que interagir, ouvir, acolher, compartilhar.

autora: Paulo Silveira
fonte: Mundo do Marketing

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